The Unprejudiced Observer

The Unprejudiced Observer is the essence of the healer or physician; it means to perceive without projection.  But in life we are surrounded by our projections – which is why the practice is so important. In the practice we can develop freedom from the limitations of our everyday self. The practice can be a vehicle for our own transformation.

In classical mythological, Mercury or Hermes was the deity that governed medicine.  Mercury had the special task to carry messages between the humans and the gods  – that means from the unconscious to the conscious realms. But it also refers to something else – to make the connection between the temporary realm, the everyday world we live in, and the eternal realm, which is the soul journey.

Because we don’t have access to that part, we need another, who might for a moment be such a clear mirror that they can help us catch a glimpse of our true selves, and we can begin to remember again.

O Observador sem preconceitos está na essência da função do curador ou do médico; significa perceber sem a influência subjetiva da nossa percepção . Mas na vida estamos cercados pelas nossas percepções a todo o momento – e é por isso que a prática é tão importante. Na prática, podemos libertar-nos dessas limitações que o nosso próprio “eu” nos impõe. A prática pode ser um veículo para nossa própria transformação.

Na mitologia clássica, Mercúrio ou Hermes era a divindade que governava a medicina. Mercúrio tinha a tarefa especial de transmitir as mensagens entre os humanos e os deuses – ou seja, do inconsciente para o consciente. Mas também fazer a conexão entre o reino temporário e efémero, o mundo cotidiano em que vivemos e o reino eterno, que é a jornada da alma.

Como não temos acesso a informação direta e objetiva sobre essa jornada, precisamos de alguma coisa que nos ajude, nem que seja por um momento, a vislumbrar o nosso verdadeiro “eu” e a trazer essa informação para o nosso mundo consciente, para que possamos lembra-nos dela de outras vezes.

The Practice
The practice requires being centred, i.e. being still, being open in your heart, and working from silence. When the patient speaks, we listen to what is offered into the space, then we listen to the echo that remains afterwards, and then we listen to the silence.

We don’t fill the space with noise, chatter, comments, or even thoughts. The ruminations about which remedy the patient needs are noisy; they too can contaminate the silence. We should be empty, so that the patient experiences the space as an invitation.

It is a held space, not a vacuum, in which the patient is witnessed and acknowledged, and experiences empathy. The role of the witness is an important aspect of the Unprejudiced Observer.

As in any spiritual practice, the essence is the deepening of our connection with our Self. The commitment to becoming free of prejudice or attachment is the focus and the drive that advances the physician or the healer.  The empty, focused attention, in which the patient enters with her story, is maintained through practice. The patients help us strengthen our practice, and it becomes deeper. So the cycle continues.

When you are centred in yourself, you perceive others with clarity. For example, if a patient makes a gesture, you can experience the energy that lies behind the gesture. It has a charge. We have to differentiate between a giveaway comment that has no energy behind it, and one that could open a door to the heart of the patient’s reality.  The art is to know which words to mirror back, where to take the person back to in the story, when to intervene and when to hold your peace.

When you are witnessing the charge, you can feel it in the room. It affects your body. Sometimes you feel emotion, perhaps emotion that you have never felt before – you have to discern whether it is your own or if it belongs to the patient. These subtle nuances, that guide you in taking the case, are inaccessible if you are too busy in your mind, full of your own concerns, as we all naturally are, when we are not in our practice.

A prática

A prática requer estar centrado, isto é, abrir o coração e trabalhar a partir do silêncio. Quando o paciente fala, escutamos o que nos é oferecido no espaço, depois escutamos o eco que permanece, depois e ouvimos o silêncio.

Não preenchemos o espaço com ruídos, conversas, comentários ou até pensamentos. Os pensamentos sobre qual o tratamento ou medicamento que vamos utilizar, são ruidosos e contaminam o silêncio de que necessitamos para poder desempenhar cabalmente a nossa função. Devemos estar vazios, para que o paciente experimente e entre no nosso espaço, como se aceitasse um convite.

É um espaço seguro, não um vácuo, no qual o paciente é observado, ouvido e reconhecido, experimentando a empatia. Este é um aspeto importante do conceito de Observador sem preconceitos.

Como em qualquer prática espiritual, a essência é o aprofundamento da conexão com o nosso Ser. O compromisso de nos libertarmos dos preconceitos é o foco que deve impulsionar o médico ou o curador. O espaço vazio e concentrado, no qual o paciente entra com sua história, é conseguido e mantido através da prática. Os pacientes ajudam-nos a fortalecer a nossa prática e ela torna-se mais profunda. Então o ciclo continua.

Quando estamos centrados em nós próprios, percebemos os outros de forma clara. Por exemplo, podemos percepcionar a energia que está por detrás dos gestos do paciente. O gesto tem uma carga energética, que pode ser sentida por nós. Mas a prática também nos traz a possibilidade de distinguir entre comentários sem qualquer carga energética e outros que são uma porta aberta para a história do paciente. A arte é saber quais as palavras a utilizar para levar a pessoa de volta à sua história, saber quando intervir e saber quando manter ou respeitar a sua paz.

Quando percepcionamos a carga energética a que nos referimos acima, sentimos isso em toda a sala de consulta. Afeta todo o nosso corpo. Por vezes sentimos uma emoção que nunca tínhamos sentido antes (temos que ter o cuidado de distinguir se a emoção é nossa ou do paciente). Estas nuances subtis, que nos guiam quando analisamos e assumimos o caso são inacessíveis, se tivermos a nossa mente demasiadamente ocupada com as nossas próprias preocupações, aliás, como é normal acontecer na nossa vida quotidiana.

Archetypes
The Unprejudiced Observer is not you, it is what happens when your everyday self slides away, and allow the Healer to enter. The patient also evokes the archetypal dimension of a healing exchange. There is a symbiotic polarized relationship between patient and healer. The physician requires the patient. You can’t be a healer without a patient. The Unprejudiced Observer emerges in the specific conversation, in the contract, in a given place and time. It is not a truth in yourself at all times – you can not aspire to being an Unprejudiced Observer in all times in all situations.

We cannot step completely out of the process of our own personal unfoldment, and that also means dealing with our own suffering. The guide is also the seeker. But just as one can aspire through art or music towards an expression of the universal, so the physician through the practice of healing can gain a universal perspective. But however clever you are at analysing the case, or in classifying the remedies – the essence of the practice is in your ability to perceive and witness another, in humility, in truth, without prejudice; this is the true art of the healer. The correct analysis, and choice of the medicine flows from this point.

In homoeopathic medicine, the patient has the opportunity to reveal, to express, to enact, and to elucidate what it is that ails them (What needs to be cured). The tradition from which the homeopathic physician has emerged is the archaic role of the herbalist or witch doctor. The medicine woman or man perhaps lived at the edge of the village or away in the forest. The patient would come in order to understand a dream, or to be cured of a problem. Maybe the healer was pleasant, generous or good-hearted, but maybe she wasn’t. Those were not the key issues. The key issue was the healer’s power to perceive honestly and deeply, and to create an individualised medicine.

Arquétipos

O Observador sem preconceitos não somos nós, ele surge quando o nosso “eu” quotidiano se retira e permite que o “eu” curador entre. O paciente também evoca o nosso “eu” curador, numa a dimensão arquetípica do tratamento ou da cura. Existe uma relação polarizada simbiótica entre paciente e curador. O médico ou o curador querem o paciente. Não podemos ser curadores sem um paciente. Então, o Observador sem preconceitos emerge em determinadas conversas, num contrato tácito, num determinado lugar e tempo. Não acontece em todos os momentos – não podemos aspirar a ser um Observador sem preconceitos em todos os momentos e em todas as situações.

Por outro lado, não podemos, também, deixar completamente o nosso próprio processo de desenvolvimento pessoal, e isso significa lidar com o nosso próprio sofrimento – o guia é, também, aquele que busca, que procura. Mas, assim como se pode aspirar a expressar o universal do Ser através da arte ou da música, também o médico/curador, através da prática do tratamento ou da cura, pode ascender a essa perspetiva universal. No entanto, por mais inteligentes que sejamos ao analisar o caso, ou em classificar ou escolher os medicamentos – a essência da prática está na nossa capacidade de perceber e testemunhar o “outro”, em humildade, em verdade, sem preconceito; esta é a verdadeira arte do curador. A análise correta e escolha do medicamento flui a partir deste ponto.

Na medicina homeopática, o paciente tem a oportunidade de revelar, expressar e explicar o que o aflige (o que precisa ser curado). A tradição da qual o médico homeopata emergiu assenta nas práticas dos herbalistas ou dos curandeiros, os quais normalmente viviam na orla da aldeia ou na floresta. O paciente procurava-os para entender um sonho ou para se curar de um problema. Talvez o curandeiro fosse afável, generoso ou de bom coração, mas talvez não. Esse não era o principal problema. A questão fundamental era a capacidade do curador de perceber de forma honesta e profunda o problema do paciente e criar um remédio individualizado para o curar.

Studying Materia Medica
When we study remedies, the subject of our study is not the information on the page in the book. We are studying a living, organic energy in nature. What we seek to understand is the dynamic pattern, the heart of the matter, the essence that infuses every aspect, and makes it what it is. To penetrate to understand in this way, we have to look beyond the written texts, and connect with  the materials themselves.

The remedies exist within the context of their eco-system, the Earth, with her cycles and rhythms, and the Cosmos. To establish a relationship with a remedy, we must be firmly in connection with the Earth. And when we study a remedy with the aim of perceiving the core principles, just as with the patient, we must approach it as the unprejudiced observer.

The practice of being centred, working from stillness, emptiness and silence, applies to the study of Materia Medica as well as to the taking of a case. We use our own mind and body as the vehicle to perceive the remedy. We can bring the medicine to life within ourselves – not only in the mind, but in our eyes, our nose, the throat, stomach, intestines, into our limbs, and our circulation, to discover how it thinks, how it feels, how it breathes.  When we embrace a remedy in this way, we can recognize how it feels to be the person who needs it as their similimum.

Estudando Matéria Médica

Quando estudamos os medicamentos, o objetivo principal do nosso estudo não é a informação que consta das páginas dos livros. Estamos a estudar uma energia viva e orgânica na natureza. O que procuramos entender é o padrão dinâmico, o coração da matéria, a essência que infunde todos os aspetos e torna o medicamento naquilo que ele é. Para isso, temos que olhar mais para além dos textos escritos e conectarmo-nos com os materiais em si.

Os remédios existem dentro do contexto do seu ecossistema, a Terra, com seus ciclos e ritmos, e o Cosmos. Para estabelecer uma relação com um medicamento, devemos estar firmemente em conexão com a Terra. E quando estudamos um medicamento com o objetivo de perceber os seus princípios fundamentais, aliás tal como acontece com o paciente, devemos abordá-lo como o Observador sem preconceitos.

A prática de estar centrado, trabalhando a partir da quietude, do vazio e do silêncio, aplica-se ao estudo da Matéria Médica, assim como à análise de um caso. Usamos a nossa própria mente e corpo como o veículo para perceber o medicamento. Podemos trazer o medicamento à vida dentro de nós mesmos – não apenas na mente, mas através dos nossos olhos, nariz, garganta, estômago, intestinos, dos nossos membros e da circulação sanguínea, de forma a descobrir como ele pensa, como se sente, como respira. Quando adotamos um medicamento desse modo, podemos reconhecer como é ser a pessoa que precisa dele como seu similimum.

Be yourself
To understand what needs to be cured in the patient, or what is the curative power of a medicine, we have the most wonderful instrument at our disposal, which is our self. We can move our centre, to resonate with the other, and if we do this consciously, we can then recognize the characteristics of the altered state. But then we must know how to return to our self once more. It is an important part of the practice to develop a strong sense of one’s own self.

When you are centred, energy can flow freely. This state of peace, and being present is a simple and wonderful gift. It is not derived from ‘knowing yourself’ as mental information. Think of it more as BEING YOURSELF. Your feet firmly on the Earth, connected with the heavens, heart open, balanced left and right, being in the centre of your self, silent and still within, alert and attentive….

This is the Unprejudiced Observer.

Seja você mesmo

Para entender o que precisa de ser curado no paciente, ou qual é o poder curativo de um medicamento, temos o mais maravilhoso instrumento à nossa disposição, que é o nosso “eu”. Podemos centrar-nos, movimentar o nosso centro, ressoar com o outro e, se fizermos isso conscientemente, poderemos então reconhecer as características do nosso estado alterado. Mas depois, devemos saber como retornar ao nosso “eu” mais uma vez. É uma parte importante da prática desenvolver um forte sentido de “si mesmo”.

Quando estamos centrados, a energia flui livremente. Este estado de paz e estar presente é um presente simples e maravilhoso. Mas não resulta do “conhecer a si mesmo” como informação mental. Devemos preferir, antes, o SERMOS NÓS MESMOS. Os nossos pés firmemente enraizados na Terra, mas conectados com os céus, coração aberto, equilibrado esquerdo e direito, estando no centro de nós mesmos, silencioso e ainda dentro, alerta e atento.

Este é o observador sem preconceitos.

 

 

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *